Na quarta feira passada, dia 23 de novembro, o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Florianópolis e a Rede TearSAN promoveram um evento alusivo ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro. Representantes do Poder Público, do Legislativo, de movimentos sociais e estudantes realizaram uma ocupação política-cultural em frente ao Restaurante Popular de Florianópolis, no Centro, debatendo temas como fome, arte e direitos em diversos formatos: da batalha de rap à roda de conversa. 

O coletivo de MCs @terrordo410 puxou a batalha de rap, abrindo a atividade. O nome do coletivo é uma referência à linha de ônibus TIRIO-TICEN Direto, sendo que a proposta deles/as é levar o rap para o transporte coletivo, quebrando alguns tabus em relação a esta expressão artística-cultural das periferias.

Na sequência, a roda de conversa foi mediada por Mick Lennon Machado, da TearSAN. A partir de perguntas provocadoras, os/as participantes debateram sobre a insegurança alimentar em suas próprias vidas, além de refletirem sobre como acabamos sendo tolerantes com a fome. 

O representante do Movimento da População de Rua, André Schaeffer, apontou que “O próprio restaurante popular ganhou força e foi instalado neste ano, mas é uma luta de mais de 12 anos. Só ganhou força e conseguiu ser materializada por que a fome chegou a outros setores da sociedade, enquanto estava na rua, era invisível e ignorada”, disse.

O Movimento Restaurante Popular Já durante anos reuniu coletivos e representações da sociedade civil para lutar por este equipamento público. O Movimento PopRua, Cepagro e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável são algumas das entidades que construíram o movimento. 

voz das manas 2

Eduardo Rocha, que representou o Cepagro na atividade, conta que também foram discutidos os avanços nas políticas públicas de SAN no município, grande parte por causa da resistência e da luta do COMSEAS. Um dos principais foi o prefeito Topázio Neto ter assinado o termo de compromisso para constituição da Câmara Interssetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) em Florianópolis, o que possibilita a adesão ao Sistema Nacional de SAN (SiSAN). “Agora a luta é fazer com que se tenha uma estrutura mais robusta para política de Segurança Alimentar e Nutricional do município, seja uma Coordenadoria, uma diretoria, uma Superintendência ou uma Assessoria direta no gabinete do Prefeito”, afirma Eduardo Rocha.

A diretora-presidenta do Cepagro, Gisa Garcia, também participou do evento e pontua que “É muito simbólico estar num restaurante popular, fruto de uma luta da sociedade, debatendo a fome. E junto com a referência a Josué de Castro feita pela TearSAN, refletindo as inúmeras injustiças sofridas pela população brasileira, como a concentração de renda, concentração de terra e mercantilização do alimento”, afirma. “É uma contradição o Brasil ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo e ao mesmo tempo metade da sua população estar em algum nível de insegurança alimentar, algo esta errado nessa conta: é a nossa organização econômica e social que promovem desigualdade”, completa.