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Carta de posicionamento do Cepagro sobre o segundo turno das eleições no Brasil

O Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) vem através desta Carta se posicionar sobre o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, reafirmando seu compromisso com a democracia, a participação social e a defesa de direitos.

Acreditamos no potencial de transformação social da Agroecologia. Pautamos nossa atuação no compartilhar de saberes, na cooperação e na solidariedade entre os seres humanos. Trabalhamos de forma coletiva e articulada em rede, comprometidos com a justiça social, o respeito às diversidades e o cuidado com a vida em todas as dimensões. Nossa atuação visa democratizar a produção e o consumo de comida sem veneno no campo e na cidade, fortalecendo a autonomia dos sujeitos e a construção coletiva de soluções para os desafios sociais e ambientais contemporâneos. 

Nesse sentido, nos posicionamos a favor do candidato à reeleição e atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porque entendemos que estão em disputa dois projetos distintos para o Brasil. Mais do que diferenças entre propostas de governo, estão em jogo a defesa inegociável da democracia, o respeito à Constituição e às instituições, a garantia de direitos e a possibilidade de participação da sociedade civil na construção das políticas públicas. Diante dos riscos de retrocessos democráticos e de enfraquecimento dos direitos conquistados pelos públicos com os quais atuamos, consideramos fundamental tornar público nosso posicionamento e reafirmar nosso compromisso com a soberania do voto popular e o respeito ao resultado das urnas.

Fundado em 1990 por organizações de agricultores e agricultoras familiares e profissionais comprometidos com a formação de redes produtivas locais, o CEPAGRO construiu uma trajetória de atuação coletiva, articulada em diferentes redes e espaços de construção da agroecologia. Essa experiência nos mostra que a transformação social depende não apenas da existência de políticas públicas, mas também da participação da sociedade civil, dos movimentos sociais, dos povos e das comunidades na sua formulação, implementação e avaliação.

Defendemos um projeto de sociedade fundamentado na Agroecologia, no acesso à terra, na proteção dos territórios, na soberania e segurança alimentar e nutricional e na valorização dos saberes, da coletividade e da luta popular. Diante da emergência climática, é imprescindível fortalecer modelos de produção e consumo que respeitem os limites da natureza, valorizem a sociobiodiversidade e coloquem a vida acima dos interesses econômicos, construindo caminhos coletivos para um futuro justo e sustentável.

Acreditamos que o fortalecimento da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais, a promoção da agroecologia e da segurança alimentar e nutricional, da agricultura urbana e periurbana, a proteção dos territórios e o enfrentamento das mudanças climáticas dependem de políticas públicas consistentes e do compromisso dos governos com essas agendas. Políticas de apoio à produção de alimentos saudáveis, de incentivo à transição agroecológica, de compras públicas da agricultura familiar e de proteção socioambiental são fundamentais para garantir direitos, valorizar os modos de vida tradicionais e construir sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.

Nesse sentido, valorizamos as gestões anteriores do governo Lula por manterem canais de diálogo e participação social, permitindo que organizações da sociedade civil, movimentos sociais, agricultores e agricultoras familiares e povos e comunidades tradicionais contribuíssem para a construção e o aprimoramento das políticas públicas. Nossa experiência demonstra que a incidência política e a participação social são fundamentais tanto para conquistar avanços quanto para assegurar a manutenção de direitos.

Nos posicionamos contra o projeto de governo proposto por Flávio Bolsonaro, que nega a emergência climática, oprime povos e comunidades tradicionais, ameaça os territórios e seus modos de vida e coloca em risco direitos constitucionais conquistados por décadas de organização, mobilização e luta popular. Reafirmamos que não há justiça social sem justiça ambiental, nem democracia sem respeito à diversidade, aos direitos conquistados e à participação popular. Diante de projetos que ameaçam a democracia e os direitos fundamentais, não há neutralidade possível: estaremos ao lado dos povos, dos territórios, da agroecologia e da luta por uma sociedade mais justa, democrática, solidária e sustentável.

É por acreditarmos na importância da democracia, da participação social e da continuidade de políticas públicas comprometidas com essas agendas que manifestamos nosso apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos constitucionais, o fortalecimento da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais e a construção coletiva de uma sociedade agroecológica, justa e democrática.

Atenciosamente,
Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO)
Florianópolis, Santa Catarina, outubro de 2026.